
Houve um dia que decidi fazer algo diferente. Não fui à Lua como muitas vezes desejo ir, mas fui a outro lugar. Aí, sentei-me e permaneci durante uns longos momentos. De repente, olhei em frente e sorri. Lá estavam eles a nadar com uma grande alegria. O céu estava limpo, o calor dominava, e o vento soprava lentamente. Sentia-me viva, sentia que era eu própria porque estava perante o meu mundo.
Fechei os olhos e intensamente sentia aquele aroma, aquela frescura, até que sem me dar conta, escorrego e penetro no meio daqueles cardumes.
Encontrava-me assustava, já não sabia respirar, não sabia olhar mesmo querendo ver tudo o que se passava no mais bonito interior. Unicamente sentia os meus pés esticarem e alargarem. Queria gritar, queria nadar, queria viver.
Finalmente, abri os meus olhos e observei. Será um sonho? Como sofri tal transformação? A minha pele se transformara em escamas e as minhas pernas se transformaram numa cauda. Parecia um autêntico peixinho.
Comecei a baloiçar mas desequilibrei-me e rapidamente fui ter bem lá no fundo! Grande espanto foi o meu quando vi um peixe com uma enorme estatura! Veio a meu encontro e perguntou quem eu era. Queria saber mais que eu certamente. Mas realmente, pensava para mim, quem era eu!? Seria a humana que estava sentada na marina? Ou, pelo contrário, seria um peixe? Bem, que modificação. Ele, olhou fixamente e disse que nunca vira uma sardinha assim, que talvez tinha comido muito adubo quando nascera. Mas que adubo? E prosseguiu dizendo que me gostaria de apresentar um cardume muito formoso.
Eu perguntara para mim que língua seria a deles, mas velozmente alguém que se encontrava atrás de mim respondeu à minha pergunta interior e disse que falava péixes. Eu olhei e sorri. Foi esse peixe, o único que me conseguiu tranquilizar. Então, ele perguntou-me se queria ir dar uma curva com ele, mas eu lá sabia funcionar com a minha leve cauda e tinha medo de escorregar novamente, mas ele abraçou-me e nunca mais me largou.
Ouço uma criança a chorar, e esfregando os olhos acordo. Olhei à minha volta e estava tudo calmo mas o vento tornara-se forte, como se houvesse uma revolta. Seria um sinal. Talvez era melhor voltar para a serenidade daquelas águas.

1 comentário:
as águas calmas e acolhedoras sempre estarão à tua espera minha sardinha :')
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